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Globalização não quer dizer interação

Se considerarmos que a globalização facilita o acesso e muita vezes “oprimi” as características locais, devemos entender também que ela ajuda a fortalecer os “mecanismos de defesa” contra a substituição de valores próprios de uma comunidade. Desta forma, o acesso a produtos globais por menor preço e maior facilidade de distribuição não precisa necessariamente inibir o consumo de produtos locais, desde que esses tenham valores culturais relativos aquele espaço e aquele público. É preciso que estes produtos ou bens culturais proporcionem experiências verdadeiras de uso e costumes.

É inegável que a informação é uma forma de poder, “se o mundo for capaz de retrucar o ocidente, no âmbito global, estará aberta a possibilidade de outras histórias, outras modernidades, e outras explicações do desenvolvimento histórico mundial ser reveladas” Featherstone [1996]. A integração dos mercados de capital representa hoje uma grande forma de interação entre os estados. A abertura para o dialogo para que possa existir essa integração e o entendimento de como cada país reage ao mercado financeiro também é uma forma de conhecer o outro, e conhecimento de uma cultura em qualquer dos seus aspectos ajuda na possibilidade de conhecer o todo. Com o conhecimento vem respeito e a curiosidade de conhecer a fundo cada cultura.

O grande choque que o mundo tem passado tem causado um colapso cultural às hierarquias simbólicas. O grande símbolo de poder dos EUA tem sido questionado de atentados a bomba, a crise presidencial até a condução de catástrofes naturais. Desta forma o País se expõe, e não é mais o Tio San, o grande anseio de liberdade. A imagem associada aos produtos norte americanos vem mudando. E se torna inegável a sua condição de não mais liderança nos valores simbólicos de poder e liberdade. Desta forma se observa a impossibilidade de uma nação ser responsável exclusivamente pelo domínio da manipulação de bens e produto, a “Teoria da Manipulação”.

No entanto, também não se pode dizer que as sociedades estão de certa forma organizada para que possam fazer de forma consciente todas as escolhas de assimilação ao não dos produtos ofertados pela indústria cultural.

A mídia tem um alto poder de persuasão, é inegável. A questão a ser discutida é que a mídia não atinge a totalidade de uma população, e com isso existem nichos que se mantém mais afastados destas ou daquelas influências. Outra perspectiva são os grandes movimentos pela guarda e manutenção de bens e patrimônios, matérias e imateriais, que acabam também por vezes criando outro segmento de pessoas pensantes que fazem opções claras pela não intervenção de outras culturas ou mecanismos.

Ou seja, a “Teoria da Recepção” também não pode ser responsável por toda a influência ou não de uma cultura dominante.

Independente da forma como se dá a miscigenação ou manipulação das culturas, é importante observar uma tendência do homem em se distinguir. Mesmo participando de tribos ou grupos organizados o homem tem a necessidade de ser único, em sua forma ou estilo. Algum tipo de identidade ele precisa preservar. É e nessa necessidade que acreditamos que por mais que sejam difundidos bens culturais de forma de enlatados, ou com a força da indústria cultural, as populações vão estar em diferentes níveis de com diferentes olhares, buscando resgatar ou privilegiar algum tipo de elemento que o faça parecer único. O papel das políticas culturais, seria o de dar acesso e possibilidade para esse registro e ou resgate, ajudando na preservação e manutenção, deixando acessível todo tipo de expressão cultural, e a própria comunidade decide o que fazer com ela.

A pós-modernidade ajuda a questionar o poder do estado-nação. Já não há mais espaço para invenção de culturas nacionais, o valor está no que se aproxima ao autêntico. A questão agora e discutir a autenticidade dos produtos culturais modernos.

Andreia Costa

Referência Bibliográfica

CANCLINI, Néstor Garcia. Consumidores e cidadãos. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 1999.
_______ Dicionário para consumidores descontentes. Caderno Mais. Folha de São Paulo.27 jan 2002
FEATHERSTONE, Mike. “A globalização da complexidade: pós-modernismo e cultura de consumo.” Revista Brasileira de Ciências Sociais, v.11, n.32, p.105-124, 1996

 

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