IMAGO design | cultura

Seminário Civilização do Açúcar

Aos palestrantes professores, Fátima Quintas, Felipe Campos Dantas, Maria Letícia Cavalcanti e Olimpio Bonald Neto e coordenadores.

Gostaria de parabenizar a Fundação Gilberto Freire e o SEBRAE pela iniciativa de realização do Seminário sobre a Civilização do Açúcar.

Estive presente no encontro do dia 6 de março, levada pela profunda satisfação em buscar o saber sobre a cultura deste vasto país.

Como consultora tenho desenvolvido projetos de inserção do design em comunidades com vocação artesanal. E desde as primeiras experiências já foi possível observar essa profunda ligação do setor artesanal com o turismo.

Poderíamos dizer que é obvio, já que os dois setores fazem parte de uma cadeia de comercialização que por vezes é comum. Mas o obvio deixa de ser quando questões mais profundas como as que passam pela sensibilidade e o respeito pelas culturas e modos de fazer são observadas.

Gostaria de dizer que meu trabalho sofreu uma forte influência com relação ao Turismo, quando tive a oportunidade de fazer um diagnóstico do setor artesanal juntamente com a equipe do Turismo Solidário, na época com a coordenação de Flávio Vitareli aqui em Minas. Pude vivenciar a preocupação, o entusiasmo e o comprometimento daquela equipe que fez questão de morar na comunidade que estava sendo estudada se “misturando” aquelas pessoas da maneira mais próxima o quanto possível, respeitando os limites que se impunham.

E essa memória me deixa um gosto bom de lembrança e passo então a ter um pré conceito com todas as ações de turismo ligadas a cultura. E esse pré conceito e na base que acredito sempre estar lidando com pessoas, sensíveis, competentes e conscientes desse universo humano que merece e necessita ser trabalhado a partir de questões bem mais amplas do que a simples, mas também importante técnica. E isso foi muito bem colocado pelo professor Felipe em sua apresentação.

Esse respeito e a devida pontuação entre o ser gentil e ser hospitaleiro, faz realmente a diferença entre o empreendimento comercial e o empreendimento humano. Como consultor muitas vezes somos cobrados de resultados. Números, dados e quando começamos a falta de experiência nos faz questionar se estamos mesmo no caminho certo, já que algumas vezes não temos números para apresentar. Mas as falas que temos durante as interações com os grupos de aquele “projeto mudou minha vida’, os convites para voltar não como consultor, mas como amigo para visitar aquelas pessoas, a tapioca feita no capricho no dia da sua despedida. Esses sim são números que por vezes não estão em estatísticas, mas que fazem a diferença.

Claro que não podemos desmerecer os dados técnicos, sou técnica, minha profissão que permeia entre a tecnologia e as artes me dá suporte técnico. Mas a convivência com elementos vindos dos humanistas, antropólogos, sociólogos, educadores e da gente que nos cerca nos faz pluralistas, nos faz perceber que não é só o turismo e o artesanato que andam juntos, mas que a humanidade é construída pelas redes, é a visão holística que deve ser preservada, com seus focos sim, mas com visão ampla de algumas, se não for possível de todas, as possibilidades.

E nestas possibilidades se encontras as artes da Culinária e da Moda, ambas apresentadas pelas professoras Maria Letíca e Fátima. São nestas possibilidades de se ver o outro a partir das minhas histórias e que nos coloca no centro. E o foco da visão que nos permite sermos únicos.

Segundo Jonh Berger em seu livro Modos de Ver “aquilo que sabemos ou aquilo que julgamos afeta o modo como vemos as coisas”, desta forma acredito que projetos como este, a Civilização do Açúcar, auxiliem as pessoas a alterar seu modo de ver a cultura e o turismo.

E não só a cultura clássica ou erudita como coloca o professor Olimpio, precisamos de mais ver, mais ouvir, mais saber para que possamos fazer escolhas frente à cultura de massa. O professor fala ainda em seu texto que “a cultura pode até prescindir de beleza” e para o design onde o fator estético é um dos campos de atuação essa afirmação ainda tem forte peso, pois a beleza também se faz pela imprecisão dos traços, das incertezas nos pontos nas rupturas das formas. E isso é belo, talvez essa seja a dificuldade daqueles que só conseguem ver no acadêmico o culto e o belo. Perdem a possibilidade da experimentação do improviso do casual.

Mas só não perdemos as esperanças, pois a presença também de profissionais como Eduardo Ferreira, estilista e a artista plástica Lorane Barreto mostram que há possibilidades para as outras formas de ver o mundo, através da cultura imaterial, cultura popular, do ser do jeito que agente é. Isso tudo junto com o clássico e o erudito, vai dar um bom samba, ou para melhor ambientar o tema do seminário, vai dar um doce frevo, pelas ladeiras, estradas e entradas do Pernambuco, Alagoas e Paraíba.

Foi um grande prazer poder compartilhar com vocês essas experiências.

Obrigada pela hospitalidade e cordialidade.

Andréia Costa

Mineira, designer conheci o nordeste há 4 meses e foi pelas portas do açúcar que me deparei com um Brasil que eu não reconhecia. Tinha aprendido nos livros de História que o Brasil viveu o Ciclo do Ouro, Café do Açúcar … Mas estes dados ficaram nos livros. Na memória ficou o café e o ouro que me são próximos. Sinto cheirinho de café sendo torrado em minhas viagens pelo interior de minas. O ouro posso tocar com o olhar cada vez que entro em nossas igrejas, mas o açúcar, sinceramente não sei quando deixei de tê-lo, mas não o esqueci, pois minha vida sempre doce, hoje sei de onde veio minhas “balas de puxa” e os eternos pirulitos de açúcar que cortavam a boca, mas agente não perdia um nada até o palito agente comia. Como é bom o açúcar e seu povo.

 

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